quinta-feira, 15 de outubro de 2020

SOMOS TODOS MORTOS VIVOS

No fundo do fundo
Há  um silêncio 
Dentro da minha voz,
Que tenta dizer a vida
No vazio do mundo através dos restos profundos dos outros.

Todo ser humano
É  um morto vivo
No não  lugar de si mesmo
Como ser falante e ativo.
Há algo de incompreensível 
No exercício diário do dizivel
Que tem um gosto vago de morte. 



sexta-feira, 9 de outubro de 2020

ENCONTRO

 


 

Dentro de mim há uma ausência que me completa,

que me preenche do seu vazio

até o transbordamento de mim mesmo.


Nesta ausência sei a urgência do corpo

como ponto de encontro do eu e do tu

através de nós.


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A TELA E A VIDA

A tela nos roubou da vida
No tempo utópico da  informação, 
Da invenção dos fatos
E da transcendência do real.

O que sei é  o que sinto,
O que intorpece o olhar
Na cegueira de ver, saber e crer.

Não  há mais amor possível
No artifício do dizer.
Há apenas a superfície da tela,
A vida como simulacro e utopia.


sábado, 3 de outubro de 2020

VIDA E RIZOMA



Viver é  transbordar a consciência de si no inumano das coisas,
Transcender o próximo como espelho de si mesmo.

Viver é saber a terra como o lado de fora do corpo. 
Viver é não  ser humano,
Mas potência e pulsão 
No ininteligivel da experimentação .

Viver é  ser rizoma,
Meta consciência ,
Música,
Incerto movimento
Do que não se move
E se faz movente...




SINGULAR MULTIPLICIDADE

Estou cansado de dizer, 
De fazer, acontecer e ser
Dentro do perene tempo
Dos meus territorios de imanência.
Onde sou um nada,
Quero sentir tudo,
No mais profundo da ilusão  do tempo que me mata.

Quero ser múltiplo e inumano,
Obra de arte abandonada
Ao vento dos outros
Contra as certezas e verdades
De um liquido instante de mesmice coletiva e egoica representação de um eu absurdo.

Quero ser vago e profundo
No afeto da natureza pura,
Indiferente ao humano
Na mais radical intensidade dos afetos,
Que me transmutam em corpo e ambiência,
Em estética da existência dentro do espelho da multiplicidade de si como caos e não  ser.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

OPRESSÃO PERMANENTE

É  sempre longe demais,
Tarde demais.
Há  sempre um interdito,
Um impossível,
Roubando a vida da gente. 

Há  sempre uma precariedade, 
Dizendo o tempo presente,
Os absurdos da sociedade
E as misérias do Estado.

É  sempre minha existência
Vazia dos outros,
Sem rumo,
Sem futuro,
Enquando queima em mim
Em segredo
Um atemporal  desejo profundo
De mudar radicalmente o mundo
Na alegria e festa das grandes e inumanas angústias. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

SER E QUERER

Minha existência Tem sido um dramatico desencontro entre o querer  e o viver. 
Quase tudo que quero não me é  necessário e me conduz ao tédio, ao silêncio do meu viver.
Não  sei dizer em meu dia por onde anda a vitalidade do verdadeiro desejo.