domingo, 31 de maio de 2026

DEPOIS DE MAIO, TALVEZ EM AGOSTO



Tudo que me importa agora é poder ir embora,
abandonar velhas inércias e antigas rotinas.

Depois de maio, talvez em agosto,
eu saiba, finalmente, o tempo
das despedidas.
Pois, dentro de mim,
crescem silêncios e mortes.
Já  é quase hora de partida.



quinta-feira, 28 de maio de 2026

MINHA DOR

Minha dor nunca será  arte.
Ela é  angustia, limite e grito.
Não tem estética,
não é sublime.

Minha dor é  crua e ilegível. 
Não  é materia para terapeutas,
padres ou moralistas.

Não é sintoma,
não  é  física,
nem tem alma.

Minha dor é a vida
que se perdeu dos meus dias.



segunda-feira, 18 de maio de 2026

MATURIDADE, CETICISMO E TRANSFORMAÇÃO

Passei da idade de ter razão,
de viver grandes amores e apostar no futuro.
Hoje sei um dia de cada vez,
vivo comedidamente do pouco que tenho
sem ser seduzido por qualquer paixão. 

Sei que as coisas são como são 
e não precisam de um significado
ou de uma explicação. 

Não me atrai a ilusão de qualquer verdade.
Já  passei da idade de enfeitar a realidade.
Sei que tudo decai, 
a vida é  um perpétuo Estado de indeterminação e transformação. 




quinta-feira, 7 de maio de 2026

PASSADO DISTANTE


Mora em mim um passado,
que me lembra que um dia
eu também  fui amado.

Quando eu desaparecer do tempo e do espaço,
espero que alguém, ainda se lembre,
deste  precioso e distante  passado 
em que, apesar de tudo,
eu fui amado sob um céu  azulado
de um mundo perdido e distante.



quarta-feira, 6 de maio de 2026

MEU LUGAR NO MUNDO

Meu lugar no mundo
é  o coração  dos meus entes queridos.
Mesmo que estejam mortos
e para sempre perdidos.

Meu lugar no mundo 
é o grande vazio
de tudo que foi intensamente vivido.
Existo onde a vida  não tem substância,
nem faz sentido.