quinta-feira, 7 de maio de 2026

PASSADO DISTANTE


Mora em mim um passado,
que me lembra que um dia
eu também  fui amado.

Quando eu desaparecer do tempo,
 me fazer  esquecimento,
espero que alguém, ainda se lembre,
deste  precioso e distante  passado 
em que, apesar de tudo,
eu fui amado sob um céu  azul profundo.


quarta-feira, 6 de maio de 2026

MEU LUGAR NO MUNDO

Meu lugar no mundo
é  o coração  dos meus entes queridos.
Mesmo que estejam mortos
e para sempre perdidos.

Meu lugar no mundo 
é o coração dos meus entes queridos.
Mesmo quando isso corresponde
a um imenso vazio.

terça-feira, 7 de abril de 2026

BUFÃO NIILISTA

Minha vida não  importa a ninguém. 
Minha existência não  cabe no mundo.
Quase não  existo.

Justamente por isso sou livre e absurdo.
Não  tenho moral ou ideal.
Não acredito no bem e no mal.

Vivo, apenas,  para realizar  a preguiça universal
e desprezar os que se levam a sério demais. 
Tudo que me importa é  comer, beber, cagar
e cuspir,
desconstruindo tudo que nos foi imposto como sagrado e  normal.






quinta-feira, 19 de março de 2026

A VIDA SEGUE

A vida segue.
Apesar dos pesares, 
os casais vão  ao cinema,
os amigos bebem nos bares
e a morte é certa.

A vida segue.
Tudo é rotina e tédio. 
Ninguém  acredita
na felicidade,
mas tem certeza do fim do mundo.

A vida segue,
e a morte é  certa.






quarta-feira, 18 de março de 2026

NÃO QUERO COMPANHIA

Não  espero companhia.
Não  quero com ninguém 
dividir os meus dias.

Minha medíocre rotina,
minha mansa e diária agonia,
não  comporta parcerias.

Gosto da solidão
e do silêncio.
Amo a casa vazia.

Não  me venham oferecer companhia.


sexta-feira, 13 de março de 2026

TODO MUNDO ESTA SOZINHO

Existir é  solitário. 
Cada um está preso
ao próprio rosto,
frustrações  e angústias.

Não  há consolo no outro.

Todo mundo está sozinho
em seu próprio  caminho,
seu fardo,
sua morte e destino.







quinta-feira, 5 de março de 2026

FEMINICIDIO

Sempre fui a filha de alguém,
depois a esposa de alguém,
A mãe de alguém,
A avó de alguém...

Em poucas palavras,
eu sempre fui ninguém. 
Vivi a sombra de um sobrenome
e de muitos homens
sem poder ser alguém. 

Silenciaram minha voz,
usaram meu corpo
e, por fim, me enterraram
no jazigo  da família
como filha, mãe  e devotada esposa,
quase uma coisa...