terça-feira, 23 de outubro de 2018

ESCOLHAS AMOROSAS

Como sei que de modo geral as pessoas nunca se realizam com sua primeira opção, sempre tive medo de ser a última opção de alguém.

Para muitos o  amor não é uma escolha, mas uma necessidade. Isso explica a enorme quantidade de casamento cujo arranjo realiza o mais improvável do possível. Tendemos a optar pelo possível é não pelo que realmente queremos.

Pessoas exigentes, correntes e críticas demais acabam sozinhas. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

SOBRE PRESENTES E VINCULOS

A prática social da troca de presentes, tão cara às sociedades arcaicas, como vastamente documentado por etnólogos, em nossa sociedade já não fortalece os vínculos sociais, uma vez que foi demasiadamente mercantilizada, reduzida a um comportamento massificado e banal. 

Presentear alguém para afirmar nosso vínculo afetivo hoje em dia é rito degradado. Se quer somos capazes de conceber o que é um presente. Somos incapazes de surpreender o outro com uma prenda que lhe afete e comova como uma espécie de encantamento ou sedução. É preciso conhecer muito bem uma pessoa para presentea-la. Mas muito raramente penetramos tão intensamente na intimidade de alguém a ponto de surpreender com um presente, oferecendo algo que realmente lhe sensibilize. O valor de uso deve ser sempre superior ao valor de troca.

sábado, 20 de outubro de 2018

SOBRE A NATUREZA DO AMOR

Se o amor é o ato de querer ele é uma mera relação de poder. Mas se o amor é falta e distância, ele é uma espécie de questionamento de si mesmo.


Em ambos os casos trata-se de uma experiência de impessoalidade. Eis a razão do amor ser um grande problema para a maioria das pessoas.

Amar é um estranhamento de si mesmo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O AMOR COMO AFINIDADE E ELEIÇÃO


Amar é algo que nos é ensinado e não um dado natural. Cada cultura desenha seus estilos de relacionamento. Mas todos envolvem comprometimento e intimidade. Amor é invariavelmente relação entre corpos, é presença.

Recuso aqui as sublimações metafisicas, as definições de amor inspiradas na tradição judaico cristã, na abstração vazia do principio do amor ao próximo. Afinal, não existe este “próximo” sem que se cultive intimidade.  Empatia é um fenômeno  que não nos ocorre gratuitamente como um irracional  imperativo. É mais adequado falar em empatia. Mas a empatia é algo cultivado, trabalhado e seletivo.

Amar é a outra face da afinidade. Não é um sentimento universal e impessoal. Amamos apenas aqueles que em alguma medida elegemos para o amor ou, simplesmente, aprendemos a amar.

O INCONVENIENTE DE AMAR


Sábios são aqueles que amam com pudor, que não sucumbem a seus afetos e não transformam a pessoa amada em uma espécie de ídolo.

Afinal, amar exige sempre prudência visto que o amor pressupõe alguma ilusão ou subestimação daqueles que amamos. Nunca sabemos a pessoa amada de forma objetiva. O amor a reduz a encanto, a um objeto de projeções e idealizações.

Não estão errados aqueles que consideram o amor um inconveniente infantil, uma expressão de nossa inconveniente dependência do outro.  

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

AMOR E MACHISMO


As mulheres são as maiores vítimas do amor, do afeto doentio e envenenado por relações de poder. Ciúme e dominação masculina definem ainda hoje muitos relacionamentos tóxicos.

O amor tem lugar cativo nas páginas policiais. Esta é a mais cruel realidade. O amor é uma das causas mais banais de violência.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

ILUSÃO DE CÉU


Seu rosto foi meu céu matinal,
Minha paisagem mais habitual.
Mesmo quando adivinhava a noite
Acordando em seus olhos.
Tudo parecia possível...

Como eu era enganado
Pela embriaguez do desejo mais profundo!