sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A LIBERDADE DA SOLIDÃO

O anonimato é uma benção. Ser invisível entre os outros nos garante privacidade e serenidade.  A popularidade, ao contrário, nos faz alvo de julgamentos, cobranças e limitações. Poda nossa espontaneidade e inventa o outro como um limite, uma condição de assujeitamento ou redução de si a expressão de uma persona.


Ser insignificante tem suas vantagens. A solidão é libertadora.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

MONÓLOGOS X DIÁLOGOS


O encontro de vozes nas falas de um diálogo, dão o tom das divergências, das pluralidades. Mas é necessário que haja um consenso mínimo que a todos conforme a norma. Todo dialogo pressupõe que cada um reconheça seus limites de fala, pois é objetivo da ação dialógica a produção de um discurso que transcenda todas as vozes em sua singularidade.

Dialogar pressupõe alguma disposição para abdicar de certa parcela de certeza, ir além do próprio ponto de vista. Por isso os monólogos são mais ricos e profundos do que o mais bem sucedido de todos os diálogos. Dentro de uma única voz, já existem muitos pontos de vista inconformados.

PASSIONAL



Meus sentimentos são incertos e imprevisíveis.
No fundo são eles que me possuem.

Mas tento considera-los com cuidado,
Desconfiar sempre das emoções que eles acordam.
Nem sempre é possível.

Ás vezes, sem qualquer motivo,
Sou tragado pelos meus próprios atos,
Pelas vontades que me invadem.

Não me reconheço naquele que sou.
Sei de mim apenas quando embriagado.

CONFIANÇA E DECEPÇÃO

A confiança é uma construção da empatia. Ela depende muito mais do modo como representamos e consideramos o outro do que de suas qualidades inatas. É basicamente uma aposta, um risco, sempre renovado.


Por isso o conceito de confiança faz par com o conceito de decepção. Não há quem sempre corresponda a nossas expectativas. Não somos muito realistas em nossas relações afetivas. 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

A DECADÊNCIA DO AMOR PAIXÃO

O amor se tornou uma palavra muito banal. Quase um recurso retórico e circunstancial. Nem mesmo funciona mais como tema para letras de música popular. 

Aprendemos com a vida contemporânea que o amor não redime e muito menos conduz a qualquer ideal de felicidade. Sofremos mais a urgência de nós mesmos do que a ausência do outro. O que torna substantivo apenas o amor próprio. Finalmente reduzimos o amor a questão de sobrevivência e auto preservação. O  querer do outro já não nos seduz...

SOBRE O PLATONISMO DOS SENTIMENTOS


O amor é tão incompatível com a beleza quanto o bem é incompatível com o belo. Mas somos dados a fantasia oca e idealizações vazias. É o que aprendemos com filmes Melosos destinados ao cultivo de um desejo infantil por felicidades perfeitas, por um mundo sem contradições.

O platonismo dos  afetos é a mais perceba expressão da degradação de nossa sensibilidade afetiva.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O DESEJO É O OBJETIVO DO DESEJO


Perdido no aleatório percurso de um desejo já não busco qualquer objetivo. Sei que o  desejo é como um rio que corre em seu leito indiferente às suas próprias margens.  Nada lhe é mais essencial do que seu próprio movimento.

Ele existe em si mesmo e não se reconhece no porto seguro de nenhum prazer.

O desejo é uma inspiração meta física que define o corpo em sua mais crua concretude. Ele é a vontade que se faz incessante movimento. 

O desejo busca apenas o desejo.