Mas viver é saber-se sozinho,
abandonado a si mesmo ,
sem qualquer certeza do mundo.
Existir é facil,
viver, ao contrário,
é quase impossível.
Fala-se aqui com máxima franqueza sobre as representações contemporâneas das paixões e emoções que definem a dimensão instintiva em suas configurações humanas, apontando para uma superação do carcomido modelo do amor romântico apostando, ao mesmo tempo, no mais profundo sentimento do outro que define os amantes.
Cada vínculo humano e inumano
é físico, afetivo e instável.
Todo laço é provisório,
parasitário.
Um devir outro
que nos transforma,
transborda e supera.
Todo vinculo ensina a morte.
A solidão é a morte dos outros,
sobreviver a todos,
em um tempo que já não é o nosso.
A solidão é um desencontro com o mundo
e com a vida
no estranhamento do urgente
que estabelece o agora.
A solidão é não mais se reconhecer
nos outros.