terça-feira, 10 de março de 2020

DEPOIS DO FIM

O tempo passou,
O amor definhou,
E seguimos em frente.

A vida mudou tanto 
Que não  lembra mais da gente.

Enterramos todas as nossas fotografias
Na lixeira do computador
E meu telefone esqueceu seu número.

As vezes lhe vejo na rua,
Mas já não reconheço seu rosto,
Nem lembro do dia
No qual se desfez nosso abraço. 

Só  sei que somos felizes
Um despido do outro
Nos erros de algum novo amor.





domingo, 8 de março de 2020

A VIRTUDE DOS SOLITÁRIOS

Os encontros são relativos,
Mas a solidão é absoluta
E nos  cativa na arte de viver.

Apenas os solitários 
Sabem o segredo
De uma boa companhia
E as malícias do bem viver.

quinta-feira, 5 de março de 2020

AUTO DESTRUIÇÃO


Esta fome que nos devora no banquete da vida,
é o amor em estado bruto,
em pleno e absurdo consumo
de sua própria existência.

Qualquer definição de amor
é uma confissão do caos
na experiência de qualquer agonia
Que nos apluma no desespero.

terça-feira, 3 de março de 2020

CONFIANÇA



Alguém  me disse que a luz das estrelas é fria,
que elas não brilham como parece
e que muitas estão mortas
na velocidade da luz.

Em outras palavras,
alguém me ensinou
a não confiar nas estrelas
como não confio em ninguém.

ESCOLHAS

O ideal existe entre aquilo que faço e o que deveria fazer. Ele é  sempre a consciência de um erro, do inevitável  fracasso inerente aos meus atos, revelando, assim, a fragilidade do meu querer.
A vida só  é  possível como tragédia, como consciência infeliz de si mesmo.

segunda-feira, 2 de março de 2020

O AVESSO DO DESEJO

Há uma estranha sabedoria na recusa,
No não  querer,
Que supera toda potência do desejo.

DIZER NÃO  nos deixa mais fortes,
Mais plenos de nós  mesmos 
E um pouco aliviados do peso do mundo.

Não  querer, portanto, não é  renúncia, 
É assumir a negação 
Como forma de relação profunda
Com a realidade e com os outros. 
É  saber distâncias na afirmação de si mesmo.

domingo, 1 de março de 2020

NOVOS CENARIOS DA SOLIDÃO

Ninguém vive mais a intensidade do espaço,  do tempo e do acaso.  A tela ocupou nossa imaginação virtualizando todos os nossos territórios existenciais. 

O outro já  não  existe mais, pois perdemos qualquer perspectiva de alteridade. Descobrimos um novo tipo de solidão, uma des-socialização radical no deserto da representação. Existimos em um profundo estado de perda da realidade e de mundo onde estar conectado é estar em hostilidade com o outro. Nosso mais íntimo vazio existencial nos serve agora de chão.