segunda-feira, 6 de agosto de 2018

CASO PERDIDO


Não queira saber a intimidade dos meus dias.
Sou destes que nada tem a oferecer.
Tudo em mim é futilidade.
Vivo de banalidades.
Não passo de um tolo
Que mal sabe do mundo
E pouco se interessa por você.
Não perca seu tempo comigo.
Não tente mudar o que não pode ser.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

DOS MALES DO AMOR

Um dos maiores inconvenientes do amor é a falta de realismo de nossos julgamentos. Somos demasiadamente condecendentes com a pessoa amada. Seja por conveniência ou por miopia. Só nós damos conta disso depois que o amor acaba. Mas não são raras as vezes em que nos acomodados às imperfeições do outro e diminuídos nossas qualidades por simples carência afetiva.

O ABSURDO DO AMOR

O amor só faz sentido quando é absurdo. Amantes convencionais , de vida regrada e pré planejada, amam mais a sociedade do que o amor.
Amor é transgressão, transbordamento e desmedida.
Ele é intenso,
Dura segundos de eternidade,
E marca duas vidas inteiras no sempre da finitude.
O amor só é amor quando não tem razão.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

ARREPENDIDO


Minha vontade é não ter vontades.
Queria viver de inercias,
Afogar no tédio,
Ser como uma pedra,
E saber a felicidade dos objetos.
Bom seria não sentir nada,
Não querer,
Não sofrer.
Tudo seria perfeito
Pelo simples fato
De nunca lhe conhecer.

NUNCA SEJA SINCERO

Tenha um cão,
Tenha um gato,
Ou uma tartaruga de estimação.

Fale sozinho,
Diante do espelho
Ou com a televisão.

Mas nunca....
Absolutamente nunca,
Confesse a alguém
Todas as verdades do seu coração.

CONSERVADORISMO AFETIVO



Apesar das mulheres terem relativamente se libertado na contemporaneidade dos papeis sociais que lhe eram consagrados pela tradição, de sua alienação na esfera domestica, seu lugar na sociedade ainda é condicionado a famigerada condição de “segundo sexo”. A ampliação das significações do feminino em nossa cultura ainda não foram capazes de engendrar novos modos de vida  capazes de despotencializar as codificações sexistas de poder masculino.

No plano das configurações afetivas as mulheres ainda vivem presas a uma cultura onde o privilegio da condição masculina define a maior parte dos relacionamentos. Os comportamentos abusivos são de modo geral naturalizados como um traço pseudo genético ou um padrão cultural socialmente tolerável e, não raramente, aceitável. Muitas mulheres chegam ao ponto de comungar de um ideal tradicional de masculinidade.

O que me parece decisivo na definição dos relacionamentos tóxicos é justamente a incapacidade que tantos homens e mulheres apresentam para expressar suas emoções e construir vivencias que recusem os estereótipos infantis do amor romântico. No fundo as praticas afetivas ainda são influenciadas pela eleição e idealização da pessoa amada, pelo laço conjugal fundado pela família monogâmica hétero erótica como unidade elementar da vida social e das relações pessoais.