segunda-feira, 8 de agosto de 2016

NUNCA MAIS

Não me arrependo de fechar a porta
E sair pela janela da sua vida
Andes do cair da casa.

Desde o inicio sempre foi tarde
Para inventarmos futuros.
Agora tenho a estrada e o vento
E já não mais preciso de qualquer abrigo.

Nunca mais nos encontraremos de novo.

A vida é muito curta para reencontros.

IDEAL PÓS ROMÂNTICO

Não me vejo em teus olhos
Nem me escuto em sua voz.
Não posso dizer quem somos,
Mesmo quando estamos juntos
Enfeitando a paisagem e o tempo.

Apenas siga ao meu lado
No improviso de palavras e gestos,
Até que não  haja mais nada a ser dito
E, finalmente, possamos
Apenas compartilhar a existência,
As lembranças e o horizonte

Enquanto as coisas passam.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

HISTÓRIA MAL CONTADA

Nada foi tão perfeito do que aquele maldito segundo em que  tudo deu errado,
Em que me surpreendi perplexo diante do inesperado, enquanto você, sem saber o que fazer, tentava negar a crueldade dos fatos.
Da verdade a ilusão, tudo é questão de um único passo fora do trilho, de uma repentina ausência de chão.
A realidade só vale realmente apena quando nos surpreende, quando nos abandona ao frio.
É preciso estar a margem de tudo para entender melhor tudo aquilo que nos acontece e a miopia de nossos próprios atos.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

A INVENÇÃO DO OUTRO

Quando o outro se torna um simulacro
De nossas carências
Os afetos reinventam os fatos.
Já não importa a realidade
E tudo é perfeito nas ilusões dos dias.
Este é o segredo da felicidade,
O imperativo de um coração cego.
Quem somos  ou nos tornamos

Quando encontramos um ao outro?

A MEMÓRIA DO QUE NÃO FOI

Diga mais uma vez o seu nome.
Quero poder esquecê-lo de novo
Como sempre me lembro
Do que nunca aconteceu.
Qualquer  possibilidade perdida de realidade
É mais interessante do que muitos acontecimentos.
Por isso gosto de poder esquecê-la todos os dias,
Sabe-la como um esboço morto de abortos,
Como uma fantasia dos futuros
Que se perderam pelo caminho.

Nunca saberemos como seria...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SILÊNCIOS

Não dou ouvidos aos outros.
Sismo apenas com minhas próprias opiniões,
Mas não as submeto aos ouvidos na multidão.
De nada vale compartilhar com os que me cercam
Aquele dizer que me define e me faz distinto de todos.

Minhas palavras correm em segredo de existência
Assim como minhas precárias certezas e vivencias  de mundo.

Jamais direi a ninguém
O mais essencial de meu intimo.
Por, simplesmente, ser impossível tal feito.
Por isso não perco tempo com diálogos.
Tenho mais a viver do que ouvir ou dizer.

Não dou ouvidos aos outros.

RELAÇÕES LÍQUIDAS E CRESCIMENTO PESSOAL

Hoje em dia tornou-se difícil imaginar um futuro ao lado de alguém. Aprendemos a cultivar demasiadamente nossas próprias  vontades e interesses mais singulares. O outro é sempre aquele que quer outra coisa. E o mais importante é seguir o próprio caminho através das dissonâncias do mundo vivido. Por isso, relacionamentos  tendem a ser provisórios. Já não é fácil concebe-los como uma meta  ou um fim em si mesmo; como uma forma de realização pessoal socialmente  imposta pela ambientação social. Relacionamentos são apenas perenes momentos  de nossas vidas e as exceções são cada vez mais raras. Não há nada de negativo nisso. Apenas aprendemos a viver para nós mesmos e isso nos faz crescer como indivíduos.