sábado, 7 de maio de 2016

RELACIONAMENTOS E SOLIDÃO

 A gente amadurece na medida em que se da conta do quanto um pouco de solidão  é  essencial ao mero se fazer de nossa existência individual. Em alguma medida temos necessidade de estar sozinhos e afrouxar  os vínculos sociais e afetivos. Carregamos alguns questionamentos pessoais que só  podem ser trabalhados e respondidos em condição  de isolamento e diferenciação.  Precisamos de relacionamentos para sobreviver e afirmar a nós  mesmos. Mas eles não  são absolutos. São  em grande medida precários e ambíguos...

MOMENTO DE AMOR

Não  vamos confiar em nossos vínculos,
No trocar afetivo de palavras vazias e banais,
Nas nossas imaginações  carentes de sonho,
Na necessidade de sexo e algo mais.
Estamos irremediavelmente perdidos em nós  mesmos.
Lá  fora a vida parece simples no superficial do acontecer social.
Mas  não  se iluda.
Nada é  o que parece.
Nem mesmo o que sentimos neste momento.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

AS RAZÕES DO AMOR

O amor sempre foi um problema. O maior de todos. Ele sempre envolve valores. Não  é  um impulso irracional, mas um astuto princípio de ligação sempre ponderando sobre a ambiguidade de toda relação.  

As pessoas subestimam o amor.

Eros é  perverso. Cuidado com ele...

segunda-feira, 2 de maio de 2016

SOBRE O AFETO DOS SOLITÁRIOS

O amor é  uma espécie de armadilha.

É  preciso ser profundamente enterrado em si mesmo para viver um amor. Somente pessoas solitárias conseguem perceber o outro em sua mais radical diversidade interior a ponto de surpreender o amor como uma parcela muito pequena da totalidade que elas são  em ontológica diversidade.

Acho que no fundo é  por isso que pessoas solitárias são  solitárias. Elas exigem do outro uma sinceridade de sentimentos, um jogo de luz e sombra de afetos, que poucos são  capazes de vislumbrar nos abismos da intimidade.

O PRAGMATISMO DAS AFINIDADES ELETIVAS

Acredito que existe uma enorme distância  entre amor, carinho e amizade. As três  Coisas nunca andam juntas. O sentimento esconde uma eleição  racional, um juízo de valor que transcende a simples irracionalidade do afeto. Somos seletivos e buscamos no outro exatamente aquilo que precisamos. Ninguém gosta de ninguém  por acaso. Apenas os hipócritas dizem o contrário.

CONSERVADORISMO

Nada mais simples do que ignorar alguns erros
E persistir nos equívocos que sempre me conduzem
Ao mesmo ponto cego de existência.
Sempre os mesmos impasses,
As mesmas dúvidas e os mesmos erros.
Somos sempre os mesmos.

Nunca mudamos.

ÚLTIMOS TEMPOS

A hora de amar já  passou.
Agora é  tempo de trabalhar,
De dialogar com o espelho,
O tempo e a morte
Sem qualquer pesar.
Apenas meu rosto
ainda existe na fotografia.
E vivo como um indigente
Da fantasia daquele momento estático
Onde fui apenas um rosto
Dentre outros
A espera de eternidades.