“O mais irritante no amor é que se trata do tipo de crime que exige um cúmplice.”
“Não podendo suportar o amor, a Igreja quis ao menos desinfetá-lo, e então fez o casamento.” Charles Baudeleire
A mitificação do amor romântico torna opaco e impreciso qualquer discurso amoroso que fuja dos lugares comuns das idealizações e fantasias fundadas na primado da eleição afetiva.
Somos volúveis em nossas fantasias de paixão e enamoramento porque elas estão pouco de acordo com a crise contemporânea das estratégias de construção das subjetividades.
Gozamos hoje de uma liberdade quase ilimitada no que tange as escolhas individuais e a definição de nossos projetos de vida desde que o matrimônio deixou de ser um “destino natural”. Nossa afetividade é agora o que define as prioridades e escolhas inerentes à vida privada, o que não se confunde com a dinâmica do chamado “amor líquido”. São os laços afetivos que passaram a não sofrer mais tão fortemente o peso dos protocolos do trato social, intensificando nossa passionalidade.
O fato é que a sexualidade continua sendo o grande referencial de nossos relacionamentos íntimos. Isso em um contexto em que a realização pessoal através da plenitude da vida conjugal já não é uma prioridade para a maioria das pessoas. Sucesso profissional, autonomia pessoal e “narcisistas” falam mais alto do que o intercambio amoroso quando o assunto é a busca de uma vida significativa.
Isso tudo apenas significa que o lugar do amor em nossas vidas já não é mais o mesmo que ocupava até a primeira metade do século passado. Há uma urgência em sua redefinição frente a estes tempos de pós orgia nos quais a velha bandeira da “liberdade sexual” tornou-se paradoxalmente tão conservadora quanto aos ingênuos e pueris caminhos de um celibato provisório ou amor comedido inspirado pelo desbotado mito do amor romântico e seu idealismo eletivo.
Fala-se aqui com máxima franqueza sobre as representações contemporâneas das paixões e emoções que definem a dimensão instintiva em suas configurações humanas, apontando para uma superação do carcomido modelo do amor romântico apostando, ao mesmo tempo, no mais profundo sentimento do outro que define os amantes.
segunda-feira, 24 de março de 2014
sábado, 22 de março de 2014
MEU EU NOS OUTROS
Sou pouco em mim mesmo,
sou todo saber dos outros.
Eu só me aconteço
em minhas perdas.
Minha vida é feita de encontros,
de pessoas perdidas na memória,
afetos, amores,
prazeres e dores.
Sem me saber
feliz ou triste,
sigo sozinho
colecionando perdas
quinta-feira, 20 de março de 2014
DEFEITO
Quando tudo
Se torna um erro
Ou defeito,
Não resta ao peito
Outro efeito
Que não seja
O da dor
Que lembra
Que no mundo
Nada é perfeito.
Se torna um erro
Ou defeito,
Não resta ao peito
Outro efeito
Que não seja
O da dor
Que lembra
Que no mundo
Nada é perfeito.
QUASE AMOR...
Nossos pálidos afetos
Não valem um futuro,
Não cabem no intervalo
Entre um beijo e outro.
Não suportamos
Os silêncios e distâncias
Que sustentam o vínculo
Entre aqueles se amam.
Somos fracos de sentimentos.
Não valem um futuro,
Não cabem no intervalo
Entre um beijo e outro.
Não suportamos
Os silêncios e distâncias
Que sustentam o vínculo
Entre aqueles se amam.
Somos fracos de sentimentos.
segunda-feira, 17 de março de 2014
A FELICIDADE DOS SOLITÁRIOS
Não me iludo com palavras e sonhos
diante das contradições
dos atos humanos.
Sei a ambiguidade das paixões,
os EUs desfeitos pela
simples ambição
de afirmar a si mesmo
no falso diálogo de um beijo.
Todos vivemos do egoísmo
de nossas imaginações.
Estar só, bem sei,
é estar preenchido
de si mesmo...
diante das contradições
dos atos humanos.
Sei a ambiguidade das paixões,
os EUs desfeitos pela
simples ambição
de afirmar a si mesmo
no falso diálogo de um beijo.
Todos vivemos do egoísmo
de nossas imaginações.
Estar só, bem sei,
é estar preenchido
de si mesmo...
terça-feira, 11 de março de 2014
ÚLTIMO DESENCONTRO
Esperava encontrá-la
Depois do acaso,
Naquele ponto abstrato
De ônibus
Onde todos estão de partida
Para lugar nenhum.
Esperava mais uma vez
Viver seus hiatos e indecisões.
Ou simplesmente escrever
Um adeus em teus lábios
Para coroar o silêncio
De uma vida inteira
Depois do acaso,
Naquele ponto abstrato
De ônibus
Onde todos estão de partida
Para lugar nenhum.
Esperava mais uma vez
Viver seus hiatos e indecisões.
Ou simplesmente escrever
Um adeus em teus lábios
Para coroar o silêncio
De uma vida inteira
A SOLIDÃO DO TEU SORRISO
Tão inútil o cotidiano...
Tão sem sentido
Teu sorriso
Dentro da tarde
Que se devora
E aflora abstrata
Em meus pensamentos.
Posso nitidamente escutar
Minhas agonias e ânsias,
Meus desesperos e desejos
Gritando em uníssono
No vácuo entre as frases
Que compartilhamos
Sem qualquer objetividade
Enquanto, simplesmente,
Ignoro teu sorriso.
Tão sem sentido
Teu sorriso
Dentro da tarde
Que se devora
E aflora abstrata
Em meus pensamentos.
Posso nitidamente escutar
Minhas agonias e ânsias,
Meus desesperos e desejos
Gritando em uníssono
No vácuo entre as frases
Que compartilhamos
Sem qualquer objetividade
Enquanto, simplesmente,
Ignoro teu sorriso.
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