Estávamos um do outro
ausêntes
naquele encontro casual.
Eramos mais pendências
do que sentimentos.
O cotidiano nos afrontava com o silêncio
de nossas vidas partidas
e nos engasgavamos com nossas
próprias palavras.
Como dizer um ao outro
o susto de cada dia,
o absoluto vazio?
Não dizem que a vida
é dos vencedores?
O que cabe a nós,
os vencidos?
Cada um fechado
em seu próprio grito
seguiu seu caminho
sem comunicar a dor
que deveras os unia....
Em qualquer tempo
De um amanhã incerto
Nos desencontraremos
De novo
As margens da eternidade.
Descobriremos
Mais uma vez
O novo
Morto sob nossos pés descalços
No lugar nenhum
De qualquer praia deserta.
Enterraremos definitivamente
Todos os nossos futuros...
Quão estranho se fez
O amor que lhe tenho!
Quase não sei se te quero
Na ambiguidade de meus sentimentos
E afetos.
Quase não sei se te amo
No te querer longe
Quando te tenho perto.
Tudo que me define
É o indeciso vazio
Da tua abstrata ausência.
O amor não existe
entre as coisas.
Não é um princípio
ou uma natureza,
mas a fantasia da consciência humana
para dizer a vontade de um beijo
nos olhos abraçados
em ilusões e sonhos.
O amor não é
um dado da realidade
e muito menos sustenta
ilusões metafísicas
enquanto concreta experiência
da imaginação febril.
Amor é palavra vazia,
Quase uma mentira
Ou uma fantasia
Para vestir os vazios
Afetivos
Que nos corroem
Por dentro.
Amar é um ato ousado
De imaginação selvagem,
Um desafio a realidade...
Perdido de ti
E do mundo
Deixei gritar a vida
Na desvairada vontade
De ser em sua abstrata realidade.
Mas já era tarde.
Teu rosto dobrou
A esquina do destino
E se perdeu em qualquer parte
Do dia além de mim.
O erotismo publicitário encontra-se em todas as partes do cenário de nossas imaginações erotizadas. Ainda vivemos das fantasias cretinas alimentadas pelas ilusões do gozo hierarquizado e domesticado.
Ainda sustentamos em nossa economia sexual a ditadura do desejo formatado pelo gozo aprisionado pela pseudo racionalidade partriacal.
Ainda estamos longe de qualquer maturidade afetiva.