sábado, 30 de julho de 2022

A SOMA DAS SOLIDÕES

Nossas solidões somadas,
Mesmo despersas em suas inercias,
São resistência.

Formam um imenso cordão
De afecções nomades
Cuja gratuita presença
É em si mesmo um ato de protesto
E singularidade.

Um dia seremos sozinhos juntos,
Livres através das multidões de anônimos 
Que nos habitam o rosto
Desde o início dos tempos futuros.

Na chegança destes tempos 
Não saberemos mais
O eu que em nós
Inventou os outros.
Seremos todos múltiplos e incertos,
em um amplo esforço de desistências
E renúncias.













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