Fala-se aqui com máxima franqueza sobre as representações contemporâneas das paixões e emoções que definem a dimensão instintiva em suas configurações humanas, apontando para uma superação do carcomido modelo do amor romântico apostando, ao mesmo tempo, no mais profundo sentimento do outro que define os amantes.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
FALAR É UM ATO PERIGOSO
Estou sempre lançando
discursos ao mundo
sem nunca me dirigir a ninguém.
Estou sempre falando sozinho
temendo que alguém me escute,
que algum poder me censure.
Falar, afinal, sempre foi e será
um ato perigoso
contra o silêncio da obediência
e a paciência dos agentes da norma.
.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
A VIDA É DESPEDIDA
Hoje tudo que foi nossa realidade
parece que nunca existiu,
que nosso passado nunca foi verdade.
Parece que o tempo esquece,
apaga e segue sempre em frente
sem olhar pra trás.
Tudo que foi não importa mais...
A vida é o que se desfaz,
é uma despedida sem paz.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
INADEQUADO
Tenho meu lado de dentro,
meu lado de fora,
e muitas maneiras
de me fazer ausente.
Tenho vontade
de ir embora,
estar sempre de partida,
onde não posso ser incerto,
onde não me deixam ser
mutante e inquieto.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
TUDO E NADA
A vida não é sobre nós.
Não é sobre deuses,
sobre a Humanidade, a Razão,
a Verdade
ou o Estado.
Tão pouco é sobre a Felicidade.
A vida é sobre nada e sobre ninguém.
É sobre o que foge, sobre o que morre,
sobre o que escapa ao pensamento,
ao afeto e a palavra.
A vida é corpo, imanência
e acontece além do divino e do humano,
acima do bem e do mal.
INDETERMINAÇÃO
Sou onde me foge a vida,
onde há a angústia,
onde está o limite,
a vontade e o sonho.
Sou, exatamente ali,
onde o mundo,
para mim,
é quase impossível,
onde dançam
os meus suicídios,
onde nascem todos os sorrisos.
sábado, 24 de janeiro de 2026
CORPO E AMBIÊNCIA
Cada corpo existe
em seu próprio ambiente,
materialidades e laços.
Cada um é o que come,
o que veste e o que sente.
Somos feitos de hábitos.
O que faz do existir
um estar entre as coisas
entre a memória e o fato,
entre o concreto e o abstrato
reunindo seus próprios cacos.
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