quarta-feira, 30 de outubro de 2024

ESPERANÇA

Estamos sempre esperando
 pelo dia seguinte, 
pelo depois da hora, 
pelo próximo trem, 
pelo ano que vem e, 
 talvez, por qualquer coisa torta 
que nos leve de alguma forma além.

Estamos sempre 
ansiosamente aguardando
 pelo que não virá, 
pelo que não será,
 pelo que não volta, 
 pelo que não tem.

A vida passa, nos escapa,
enquanto esperamos inutilmente 
por algo ou por alguém.



A VIDA SEGUE SOZINHA



A vida segue sozinha,
introspectiva.

Segue vazia,
meio em agonia,
um pouco doente,
sem tempo pra gente
e sempre distraída.

A vida segue,
sempre em direção ao passado,
fugindo da sombra do próximo dia.
Segue contra toda esperança
na contramão das rotinas.

A vida morre,dia após dia,
seguindo sozinha e introspectiva.



terça-feira, 29 de outubro de 2024

ENTRE CONFORMADOS E DESAJUSTADOS

Há quem se conforme 
a uma vida morna,
previsível e comportada,
onde  tudo é fútil e descartável rotina.

Há também 
o mal estar, a fúria dos desajustados. 
Para eles tudo é profundo,
a vida importa mais do que os fatos,
e a realidade precisa ser transformada.

Entre conformados e desajustados,
é preciso que seja indagado:
O que fizemos do mundo?
O que fez de nós a realidade?








domingo, 6 de outubro de 2024

TUDO É DESCARTÁVEL

Tudo  é descartável.
Seja a dor, a verdade,
a identidade, o poder,
o amor ou a própria vida.

Tudo se arruína,
tudo se acaba,
pouco a pouco,
através do vazio
de tanta obrigação e rotina.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

A INSIGNIFICÂNCIA DA EXISTÊNCIA


Para a maior parte dos meus conhecidos
eu quase não existo.
Para os mais íntimos
sou apenas aquilo que imaginam.
Para mim mesmo sou um desconhecido.
Para a eternidade,
minha existência é silêncio.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

PESSOAS COMUNS

Pessoas comuns estão por todas as partes
levando vidas que ninguém sabe,
enquanto fazem acontecer a cidade.

O Estado as reduz a população,
o patrão as considera  mão de obra barata.
Para o sistema  não  passam de consumidores, quase nada.

Pessoas comuns não cabem
nos números que definem a cidade.
Apenas dominam anonimamente a paisagem.
Pessoas comuns são quase nada.











domingo, 15 de setembro de 2024

MÓRBIDA NOSTALGIA

Queria poder fugir
para o meu passado
mais distante do instante de agora.

Deixar de ser hoje,
desacontecer com o passado,
confundindo a vida e a morte
na incerteza da memória.