segunda-feira, 26 de outubro de 2015

AMOR INÚTIL

Lamento muito as horas encalhadas
sobre a cama
buscando com você um pouco de amor.
Sempre soube que nada iria acontecer,
que o amor seria deficiente,
insuficiente para responder a ressaca
de nós mesmos.
Estávamos perdidos
procurando abrigo um no outro.
Sabíamos apenas
que ninguém ama ninguém
e que nada termina bem.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AMOR E AGONIA

O amor sempre estará naquilo onde você falhou.
Pois ele é a ausência, embriaguez da vontade
e um profundo descaso por si mesmo.
O amor é onde você se perdeu.

Amar era perder a noção das coisas,
encontrar respostas para perguntas
que não foram se quer formuladas.

Quem ama vive como um viciado.
Busca constantemente o impossível
como simples cotidiano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

CASAL DE FOTOGRAFIAS

Consigo me lembrar do  vestido que você usava naquela noite  hoje distante na qual nos conhecemos. Mas não me recordo de um único traço do teu rosto na ocasião. Tudo entre nós começou com um vestido.

Até hoje me importo mais com suas roupas, com seus perfumes, do que propriamente com qualquer coisa que você possa dizer. Por isso sempre nos escondemos do silêncio, sempre tínhamos um pano de fundo musical.

Somos o típico casal de fotografias, daqueles que existem na medida em que se exibem para os outros e vivem para o bom trato social. Nossa união é uma coleção de eventos e boas fotos de recordação e ostentação.

Não nos importamos com a felicidade conjugal. Nem levamos a sério nosso casamento. O que importa são as aparências. Somos um belo e respeitável casal.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O FUTURO MORRE NO FINAL

Lembro-me tão bem daquele dia
onde, já faz muito tempo,
o futuro desabou sobre nós...
Tudo depois de então seria perfeito.
- Assim  pensamos.
E talvez tenha mesmo sido.
O problema é que  nós mudamos
e não queríamos mais aquele futuro
que de tanto acontecer
ganhou gosto de passado

e perdeu  as cores vivas da eternidade.

PRAGMATISMO AMOROSO

O quanto vai durar este para sempre que inventamos? De todas as formas tento antecipar o fim. Desvelar precocemente os teleológicos rumos de nossa história. Talvez assim o significado de nosso convívio se torne obvio antes que a convivência termine e nos seja possível enxergar a nós mesmos através do encontro.

Não me condene por tal engenho filosófico. Mas aprendi muito com o passar do tempo e o constante findar das coisas que caracterizam a aventura de uma existência humana. Pode ser interessante começar pelo fim. O inicio é sempre ingênuo e decepcionante em suas promessas.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O AMOR COMO PRISÃO

O eco da sua voz nunca me permitiu escutar aquilo que eu mesmo dizia.
Vivi sempre pela metade no inteiro das suas vontades e caprichos.
Aprendi a ler o mundo através dos teus olhos.
O amor sempre me foi uma subtração,
O  estar prisioneiro em uma  gaiola dourada.
Não me fale, por tanto, da sinceridade dos teus sentimentos.
Fui eu apenas uma passiva vitima do teu amor.
Fui meus  silêncios, minhas agonias.
Normal>Sou teu mais sincero oponente. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A QUEDA DOS BONS AMANTES

Amantes caídos ao relento
lamentam a ruína do seu enlace.
Afinal, perderam-se um no outro
com tamanha  gana e vontade,
que afundaram a vida na  fantasia
do beijo consumado,
Inspirado pelo sagrado.

Esqueceram que todo desejo é profano,
que todo amor é vicio e delírio
e o casamento uma falácia.

Agora lúcidos,  choravam
o sonho divino que apodrecido
lhes atormentava metamorfoseado
em delicado inferno.