terça-feira, 27 de maio de 2025

MUDAR O MUNDO

Tento saber o mundo
de um modo que não me ensinaram,
reaprender a vida contra o cotidiano,
caminhando para reinventar o corpo,
respirando para libertar um sonho.

Tento não ser mais um tijolo no muro.
Tudo que me importa é mudar o mundo,
é me tornar outro.



NARCISISMO E DOGMATISMO



As ambições pessoais
são pretenções narcisistas
a ilusão de uma saciedade permanente,
de um reconhecimento social absoluto,
que reduz a personalidade a patologia.

Um ego infrado faz de nós 
o centro do mundo.
Um mundo que só existe como delírio,
como ideologia,
onde a mais pueril convicção 
torna-se verdade e dogma,
uma anti poesia.


sábado, 17 de maio de 2025

INFORTÚNIO

Cada um segue sozinho
inventando destinos
na contramão do mundo.

Cada um sobrevive,
fazendo o possível,
para chegar bem
ao dia seguinte.

Mas quase nunca
existe em nossas vidas
 um dia seguinte,
uma paisagem nova.

Contra o cotidiano 
ha apenas a morte que nos assombra,
a incerteza do momento de agora.

sábado, 5 de abril de 2025

INDIVIDUALISMO TROPICAL

Não gosto de melodramas,
do passional existencialismo tropical,
das neuroses da classe média branca,
eternamente presa ao autoritárismo colonial e patriarcal.

Nasci torto e cresci sozinho
imuni a vínculos e a sentimentalismos.
Não acredito no amor universal,
na monogamia ou na sagrada família.

Por isso, não sigo líderes ou partidos.
Não casei e nem  tive filhos.
A liberdade foi meu único caminho
contra o autoritarismo latino e ocidental.



terça-feira, 25 de março de 2025

VENTO QUE PASSA

Não importa onde eu nasci,
quem eu amei, quem eu perdi.

Não importa o que vivi,
o que guardo e dói na memória.
Nem mesmo importa
estar aqui e agora.

Não importa nada.
Tudo é o vento que passa.
Tudo se perde, se acaba e se apaga.






terça-feira, 18 de março de 2025

A DOR

A dor escapa a palavra
pois expressa em nós 
o desconforto de uma falha,
de um limite, de uma subtração,
de uma angústia.

A dor é um rasgo no ser,
uma quase morte,
um desencontro entre o existir,
o viver e o querer.

É surpreender a si mesmo
como objeto na passividade de um sofrer.

LUTO



Tudo que fica
é essa agonia.
Esse cansaço,
um vestido vazio.

Tudo que resta é um silêncio,
um quarto fechado,
o sofrimento de um adeus
que nunca termina.