terça-feira, 7 de julho de 2015

LIMITES DO CORAÇÃO

Incertos são os afetos
No jogo afetivo
Dos nossos desejos.
Queremos como quem nega
A própria vontade
E esvazia o dia
No anseio da noite.
Já não há emoção no beijo.
Já não há certezas no coração.
Estamos todos vazios

E despidos um do outro.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A DIALÉTICA DO AMOR

Amamos pela necessidade de sermos amados,
Mas nunca nos desarmamos,
Mantemos o ego no meio do caminho
Entre o eu e o outro.
Daí o desamor que funda
Contraditoriamente
Todo ato de amor.
Amando somos distancia,
Movimento confuso
De uma afetividade a outra
Que nunca se casam,
Nunca se completam
Ou sossegam.
Amar é uma forma de agonia.

Poucos suportam.

POR UMA NOITE

Antes que o dia amanheça,
Que você me esqueça
E se quebre o encanto
Desta madrugada,
Quero viver todas as consequências
Deste encontro.
Não me importa o futuro
Que jamais teremos.
Todos, afinal, estão condenados
Ao trágico da separação.
Viveremos uma vida inteira hoje.

Não precisamos de nenhum amanhã.

domingo, 5 de julho de 2015

A DECADÊNCIA DO BEIJO

Hoje em dia
Um beijo
Diz apenas egoísmo e desejo,
Não é um ato de emoção e encontro,
Não guarda qualquer encanto.
É banal e medíocre fato
Entre duas pessoas
Perdidas de si.
Beijar tornou-se um ato mecânico,
Coisa de bestializados.


sábado, 4 de julho de 2015

CARÊNCIA

Quando estou sozinho
Me angustia a paz das inércias
De mim mesmo,
A possibilidade de viver
Unicamente
De minhas próprias vontades,
Sem me desentender
Com quem quer que seja
Que poderia estar ao meu lado.
Somos carentes de abraços,
De beijos e afagos.
Nossos egos precisam do outro

Como se fossem espelhos.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PORQUE NÃO FALO DE AMOR

Não esperem de mim doces palavras de amor.
Pois amor cabe nos versos
Na exata medida em que  se desentende com a vida.
Portanto, nada tenho a dizer sobre o amor.
Ele apenas se vive
Ou não se vive,
Apenas acaba  e deságua em outro,
Sem explicações ou sentidos
Que realmente nos convençam

De que há  qualquer grandeza no amor.  

MEU SILÊNCIO

Não me falem de amor.
Tenho outra resposta a dar
As minhas carências,
As minhas dores
E vontades urgentes
De diálogos e liberdade.
Meu caminho é o silêncio.
Estou aprendendo
A não me queixar dos vazios
Que me agitam o peito.
Talvez algum dia
Consiga,
Até mesmo,

Me livrar de mim mesmo.