O que mais ridículo me parece nos discursos dos defensores do mito do amor romantico ou eletivo é sua clara referência ao "pensamento mágico" que, a despeito de toda erança iluminista, permanece presente na cultura moderna como um de seus traços mais significativos, mesmo que em formas aparentemente secularizadas.
Não há dignidade no amor. Nenhum relacionamento nos redime de nossas solidões e carências, da mesma forma em que relacionamentos casuais não satisfazem plenamente nossas afetividades.
É preciso dizer com toda franqueza que o amor erotizado e o amor idealizado são as duas faces de um mesmo fracasso emocional. Regra geral, inspirados por um ou pelo outro, acumulamos ao longo da vida encontros e desencontros e simplesmente, desesperançados, nos rendemos aos imperativos das circunstâncias sociais sem ousar a imaginação de novas estratégias de construção de nossas sensibilidades e afetividades que tenham por pressuposto a critica do outro como princípio.
Qualquer relacionamento intimo é uma experiência individuada que pressupõe acima de tudo o desenvolvimento da própria personalidade. Não existe predestinação e muito menos prazer erótico sem decepções, pois é nossa individualidade que compartilhamos e buscamos afirmar através do outro.
Apenas somos capazes de nos relacionar como individuos.

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