terça-feira, 13 de setembro de 2022

O DESERTO LINGUÍSTICO DE NOSSA REALIDADE DITA

Tudo hoje em dia foi reduzido
 a autonomia linguística.

A vida e a morte,
 o amor e o ódio,
a verdade e a mentira,
 o certo e o errado,
a liberdade e a escravidão,
tornaram-se expressões vazias
de uma realidade sem alma
circunscrita a partilha do dizivel
na agonia do sensível.

Os opostos nivelados no nada
não expressam mais o corpo,
não transbordam o universo.

Só há simulacros
onde antes existia o mundo,
o sentido e o mistério
do delírio do amor através dos conflitos.

Mas o mito abandonou o tempo
e agora tudo é finito,
visível e isolável
na confusão entre a palavra,
 o número, a multidão,
e o deserto.

Há tanta linguagem
que se tornou impossível o permissível 
de qualquer forma comunicação.












 

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