sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O EU E O OUTRO NO DUVIDAR DE SI MESMO

Duvidar de si mesmo é uma divisa mais apropriada ao individuo contemporâneo do que a velha fórmula do “conheça a ti mesmo”. Pois somos todos em alguma medida incertos de nossa própria individualidade, de nossos desejos e vontades.
Somente através do espelho do outro nos reconhecemos...
Lembrando Baudrillard:

“Minha vida, porque se passa no outro, torna-se secreta a si mesma. Minha vontade, porque se transfere para o outro, torna-se secreta a si mesma.
Sempre há uma dúvida quanto à realidade de nosso prazer, quanto a exigência de nossa vontade. Paradoxalmente, nunca estamos seguros a respeito disso, mas parece que o prazer do outro é menos aleatório. Como estamos mais próximos do nosso prazer, estamos bem situados para dele duvidar. A proposição que pretende que cada um dê  maior crédito a suas  próprias opiniões subestima a tendência  inversa que consiste em pôr sua opinião na dependência da de outras pessoas de opiniões bem fundamentadas ( como na erótica chinesa se suspende seu próprio prazer para garantir  o do outro e dai tirar uma energia e um conhecimento aprofundado). A hipótese do Outro talvez seja apenas a consequência dessa dúvida radical quanto ao nosso desejo.”

JEAN BAUDRILLARD in  A TRANSPARÊNCIA DO MAL: ENSAIO SOBRE FENÔMENOS EXTREMOS

Nenhum comentário:

Postar um comentário