Duvidar de si mesmo é uma divisa mais
apropriada ao individuo contemporâneo do que a velha fórmula do “conheça a ti
mesmo”. Pois somos todos em alguma medida incertos de nossa própria
individualidade, de nossos desejos e vontades.
Somente através do espelho do outro nos
reconhecemos...
Lembrando Baudrillard:
“Minha vida, porque se passa no outro,
torna-se secreta a si mesma. Minha vontade, porque se transfere para o outro,
torna-se secreta a si mesma.
Sempre há uma dúvida quanto à realidade de
nosso prazer, quanto a exigência de nossa vontade. Paradoxalmente, nunca
estamos seguros a respeito disso, mas parece que o prazer do outro é menos
aleatório. Como estamos mais próximos do nosso prazer, estamos bem situados
para dele duvidar. A proposição que pretende que cada um dê maior crédito a suas próprias opiniões subestima a tendência inversa que consiste em pôr sua opinião na
dependência da de outras pessoas de opiniões bem fundamentadas ( como na
erótica chinesa se suspende seu próprio prazer para garantir o do outro e dai tirar uma energia e um
conhecimento aprofundado). A hipótese do Outro talvez seja apenas a
consequência dessa dúvida radical quanto ao nosso desejo.”
JEAN BAUDRILLARD in A TRANSPARÊNCIA DO MAL: ENSAIO SOBRE
FENÔMENOS EXTREMOS

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